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De quatro / Miranda July; tradução Bruna Beber. – 3. ed. – Rio de Janeiro: Amarcord, 2024

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Esse foi o segundo livro que li em 2024 (mesclando com outros ainda não terminados) e eu tô assim, sem saber exatamente o que achei dele. Por enquanto, tenho dito que eu gostei, mas não amei. É um bom livro, mas não é incrível. Tem partes bem excitantes, outras bem chatas que vale ter aquela leitura meio rápida, pulando parágrafos. Eu gostei muito de algumas provocações que o livro me trouxe, como a utilização dos pronomes neutros ao se referir a Sam, seu filhe. Gostei da maturidade de seu casamento, que me pareceu pautado com muito diálogo (até mesmo nos momentos em que o silêncio foi a ferramenta escolhida para lidar com uma situação incômoda e que precisava de reflexão por Harris, seu marido). Gostei muito das discussões mentais que ela tem ao longo de todo o livro, porque retrata muito do nosso cotidiano – pelo menos o meu – que pensa mil coisas ao mesmo tempo, tem desejos aparentemente absurdos, depois volta e pensa que tá ficando maluca, como um “credo, que delícia!”, porém...

Quando os 40 anos chega

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Quando completamos 40 anos, uma série de situações começam a surgir em nossa vida que nos faz acreditar que estamos surtando. Surtando loucamente ou em silêncio, não importa a forma. Às vezes essa virada louca na nossa vida acontece no dia seguinte ao aniversário, como num passe de mágica, ou como se tivesse um botão do tipo start e que não tem a função stop . E aí começa uma nova jornada da heroína, ou melhor dizendo, é aí que começa a jornada da heroína, mas diferentemente da jornada do herói, não há muito a necessidade de dar publicidade aos nossos feitos, muito pelo contrário: sentimos cada vez mais a vontade de vivermos essa jornada em silêncio, aparentemente quietas, visualmente calmas, porém, com um turbilhão de sensações, pensamentos, hormônio e atitudes. A mulher após os 40, começa a fazer coisas que soam estranhas àqueles que estão acostumados a ela. Geralmente os companheiros, filhos e amigos mais próximos, que não nos dão a devida atenção, simplesmente estranham esses ...

Pequenas coisas como estas / Claire Keegan; tradução por Adriana Lisboa. - Belo Horizonte: Relicário, 2024

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Percebi o livro melancólico e solitário ao retratar um homem, trabalhador e pai de 5 filhas, que começa a pensar e questionar se a vida que leva faz algum sentido. A mesmice dos dias e a previsibilidade dos acontecimentos, marcados por uma cultura e religião protestante o entendiam e levam-no à refletir sobre o propósito da sua rotina, desse labor e seus privilégios, fruto de um trabalho árduo, consistente e resignado, em relação a desigualdade que assiste em sua pacata e obediente cidade. Sente-se impelido a "quebrar alguma regra", embora essa intenção não esteja explícita na história, mas dá o tom da personagem, o que o motiva a salvar uma das meninas da lavanderia que ficava em um convento, lugar conhecido por "acolher" meninas grávidas consideradas impuras e que fugiam as regras da sociedade. Elas eram submetidas ao trabalho escravo de limpar e lavar impecavelmente as roupas que ali eram trazidas pelos moradores e tinham seus filhos vendidos ao estrangeiro pelas...

Fim da Parte I

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“O nosso amor a gente inventa Pra se distrair E quando acaba a gente pensa Que ele nunca existiu” Quais violências uma mulher se permite? Uma mulher se permite ser violentada? Essa responsabilidade é da mulher? Ou seria uma culpa? A mulher é a grande motivadora das situações violentas que sofre? Se é ela quem sofre, como ela pode ser a responsável? Seria a violência sofrida um ato masoquista? Se a cada 24 horas, pelo menos oito mulheres foram vítimas de violência doméstica , se a economia do cuidado consome, em média, mais de 61 horas semanais , se temos 47,8 milhões de mulheres inseridas no mercado de trabalho , estando ocupadas por cerca de 8 horas diárias, fora o deslocamento, fico aqui pensando qual tempo que sobre para que a mulher consiga pensar em provocar uma situação que a coloque no papel de vítima de violência. Quando falamos de violência contra mulher, a primeira imagem que vem à mente de qualquer pessoa é de violência física, de uma pessoa machucada, com escoriações, corte...

Desculpa qualquer coisa

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Me desculpe Me desculpe por embolar as palavras. Me desculpe por não conseguir mais concatenar minhas ideias. Me desculpe por não estar simpática. Me desculpe por não conseguir mais prestar atenção. É que estou cansada É que minha cabeça está em outro lugar. Tenho pensado tanto em outra coisa que não aqui. Mas eu me esforço, eu juro que me esforço. E eu gosto muito do que faço. Gosto muito do que ouço. Gosto muito do que falo. Mas é que eu estou cansada. Eu queria estar em outro lugar. Mas não porque estou insatisfeita. Longe disso. É que eu encontrei um lugar...ahhhh, que lugar! Se você o encontrasse, tenho certeza que estaria assim como eu. Se desculpando. É que descobrir esse lugar faz a gente pedir desculpas mesmo. Porque é mais gostoso pedir desculpas do que fingir que esse lugar não existe. É melhor admitir a displicência, a falta de foco e o semblante avoado Do que ignorar a beleza desse lugar. Você deve estar pensando que lugar tão especial é esse, né? Eu também ficaria curiosa...

Virou cocô

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Cada vez mais leio textos e penso que eu poderia ter escrito. Deixo claro que não é por uma intenção de me apropriar da ideia alheia, mas porque acontece muita identificação com meu estilo, mesmo sendo de pessoas bem diferentes umas das outras, sabe? Isso me faz pensar em tantas que habitam em mim. E é bem verdade, habitam muitas mulheres dentro de mim. Muitas. Mas consigo identificar um fio condutor em todas elas, que é um apreço, um cuidado, um gosto especial pelos temas existenciais. Os textos que tenho lido, sejam crônicas, romances, blogs, newsletters, não importa, todos eles tratam de questões da humanidade, de posicionamento de um eu em eterna descoberta. E eu acho isso lindo! Um amigo meu diria que “ eu não acho nada”, mas aqui, nesse espaço, vou usar minha liberdade poética e não vou substituir  “acho” por nenhuma outra palavra. Até porque, no sentido que escrevo, esse “acho” carrega uma transitoriedade, uma ideia de que é incerto e altamente mutável. Partindo dessa ...

A grande magia

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  Há alguns anos li um livro chamado “Grande magia”, de Liz Gilberth – mesma autora de Comer, Rezar, Amar, minha bíblia pessoal, e tem uma parte que ela fala sobre a ideia, sobre a magia de uma ideia, que ela não tem dono, ela é como uma fada, que fica por aí, perambulando na atmosfera até se conectar com um humano que está com a mente tão livre que a atrai e, assim, ela explode em criatividade. Ela comenta, inclusive, que uma mesma ideia pode surgir em pessoas completamente desconhecidas e que vivem muito longe uma da outra. Desde que li esse trecho (não grifei, então não sei dizer onde está) criei essa imagem da uma grande ideia flutuando por aí, esperando uma pessoa desavisada que é hora de se encontrar. E eu fico querendo ser essa pessoa desavisada, sabe? Mas a gente não pode deixar toda nossa vida ao acaso ou à grande magia, tem algumas coisas que precisamos fazer, e uma delas é registrar qualquer coisa que passe na nossa cabeça e que naquele átimo pareça uma grande ideia. Mes...