Bruta flor do querer

O amor é essa coisa que inicialmente acontece e que com o passar dos dias pede uma intencionalidade, uma vontade, um querer, uma atitude e assim se segue, numa construção diária de possibilidades, do inexplicável e da curiosidade em saber o que vai acontecer no dia seguinte, para onde esse instinto irá nos levar. O paradoxo, ao meu ver, é que o amor também é segurança, previsibilidade e até mesmo uma aparente monotonia, nos momentos em que o corpo não está tão quente e vibrante, mas morno o suficiente para trazer uma sensação agradável de aconchego. O amor não está presente quando há brigas, inseguranças e desconfianças, mas esses momentos acontecem em um relacionamento e isso quer dizer que, durante o amor, há momentos de desamor, e é essa dualidade que bagunça a minha cabeca, por vezes infantil, de que devemos viver tudo com tanta intensidade que não deveria existir espaço para o desamor.

Mas eu também tenho compreendido que os momentos de desamor nos afasta do amado, mas nos aproxima de nós mesmo. Nesses momentos que nos mostramos mais vulneráveis, com nossas emoções despidas e nossas sombras saindo da catacumba de nossas almas. Os momentos de desamor são quando nossos traumas dão as caras e a gente abre a porta para que saiam da gente, mesmo que firam os outros.

E depois de tantos amores e desamores que vivi, como posso ainda não ter desistido de amar? Eu realmente sou uma mulher insistente com a vida, o que não sei ainda se é uma fortaleza ou uma fraqueza que carrego, mas o que sei, com absoluta certeza, é que, pra mim, amor é vínculo, é reciprocidade, é intencionalidade, é disponibilidade e também é desamor. 

Se vou vier mais momentos assim eu não sei. Desejo que sim. Mas duvido muito que encontrarei um outro amor disposto a lidar com meus desamores.

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